“O tempo passa. No entanto, para os Estados Unidos da América, não haverá esquecimento para o 11 de setembro. Lembraremos de cada socorrista que morreu com honra. Lembraremos de cada família que vive com o luto. Lembraremos do fogo e das cinzas, dos últimos telefonemas, dos funerais das crianças.”
— Discurso em Sessão Conjunta do Congresso, 20 de setembro de 2001[1]

Existem datas no calendário que marcam rotinas comuns, e existem datas que alteram para sempre o curso das vidas humanas. O 11 de setembro está gravado em nossa memória coletiva não apenas pelas torres que ruíram ou pela fumaça que subiu sobre Arlington e sobre um campo sereno em Shanksville, na Pensilvânia, mas pelo que se revelou no íntimo dos seres humanos naquela manhã radiante. Vinte e cinco anos depois, fazemos uma pausa não para reabrir feridas da tragédia, mas para cumprir uma solene e sagrada promessa: honrar aqueles que deram tudo de si, lembrar daqueles que nunca voltaram para casa e manter viva a chama imorredoura de sua bravura.

Quando os alarmes soaram naquela manhã de terça-feira em 2001, milhares de homens e mulheres fizeram o que muito poucos poderiam conceber. Enquanto o instinto humano nos incita a fugir do perigo e buscar abrigo, os bombeiros do FDNY, os policiais do NYPD e da Polícia da Autoridade Portuária, os paramédicos, socorristas e militares correram diretamente em direção a ele. Ajustaram os coturnos, içaram pesados equipamentos às costas e subiram escadarias tomadas pelo fogo para que completos desconhecidos pudessem descer em segurança.

Trezentos e quarenta e três bombeiros, sessenta policiais e agentes da autoridade portuária, e oito paramédicos privados perderam a vida naquele dia apenas na cidade de Nova York. Entre eles estavam comandantes veteranos, jovens recrutas em suas primeiras grandes ocorrências, socorristas de folga que se dirigiram voluntariamente ao local sem convocação oficial, e capelães que permaneceram no front para levar alívio espiritual. Seu sacrifício não foi um conceito abstrato; foi a decisão consciente e derradeira de colocar a vida do próximo acima da própria sobrevivência.[2]

Contudo, o heroísmo de 11 de setembro não se restringiu a fardas ou distintivos. Refletiu-se de modo sublime nos atos de cidadãos comuns lançados em circunstâncias extremas. No céu do oeste da Pensilvânia, quarenta passageiros e tripulantes a bordo do voo 93 da United Airlines souberam dos acontecimentos devastadores em Nova York e Washington. Em questão de minutos, desconhecidos deram as mãos, realizaram uma votação e avançaram para retomar o controle da aeronave. Sua coragem deliberada impediu a destruição de incontáveis vidas no solo da capital de nossa nação. Em seus momentos finais, provaram que a coragem não é a ausência de medo, mas a certeza inabalável de que resguardar o semelhante é superior a si mesmo.[3]

No Pentágono, militares e servidores civis romperam a fumaça densa, escombros em queda e o calor asfixiante para carregar colegas feridos até postos de atendimento montados nos gramados. Do outro lado do rio Potomac e por toda a região metropolitana, voluntários anônimos surgiram munidos de kits de primeiros socorros, garrafas de água e veículos particulares para auxiliar no transporte das vítimas.[4]

Na parte baixa de Manhattan, outro milagre silencioso se desdobrava nas águas que circundam a ilha. Com o metrô paralisado, pontes bloqueadas e centenas de milhares de pessoas retidas junto aos paredões do cais, a Guarda Costeira dos Estados Unidos transmitiu um apelo urgente pelo rádio marítimo VHF: “A todas as embarcações disponíveis... aqui é a Guarda Costera dos Estados Unidos. Apresentem-se em Governors Island.”[5]

Bandeira americana hasteada em memória
Foto cortesia de Timothy C. Morrow

O que se seguiu converteu-se na maior evacuação marítima espontânea de toda a história humana. Mestres de rebocadores, tripulações das balsas de Staten Island, barcos particulares de pesca, escunas de turismo e táxis aquáticos transformaram suas embarcações em botes salva-vidas. Enfrentando densas nuvens de poeira e cinzas, esses marinheiros civis encostaram nos cais e transportaram mais de 500.000 pessoas para a segurança em menos de nove horas — superando o histórico resgate de Dunquerque. Não cobraram passagens, não pleitearam homenagens nem esperaram por ordens formais. Simplesmente avistaram seus semelhantes em perigo, apontaram a proa para a margem e estenderam os braços.[5]

Nas horas, dias e semanas que sucederam à catástrofe, um profundo espírito de fraternidade abraçou todo o país. Vizinhos que nunca haviam trocado uma palavra bateram às portas para saber se todos estavam bem. Cidadãos aguardaram em filas de vários quarteirões por cinco, seis ou sete horas apenas para doar sangue. Carretas repletas de luvas de trabalho, lanternas, água, alimentos e insumos médicos chegaram de cada um dos estados da união. As divergências de origem, ideologia e crença silenciaram. Por um momento resplandecente, fomos lembrados daquilo que nos une: uma humanidade comum, uma profunda capacidade de compaixão e a determinação inabalável de amparar uns aos outros na escuridão.

Um quarto de século depois, as crianças nascidas após 2001 tornaram-se adultos, assumindo seus papéis como pais, trabalhadores e líderes comunitários. Para muitos, o 11 de setembro é um capítulo nos compêndios de história, e não uma lembrança viva. É por isso que nossa homenagem de hoje é tão indispensável. Honrar os que tombaram não é um tributo passivo; é o compromisso diário de resguardar a verdade de sua bravura e de espelhar o desprendimento que nos ensinaram.

Honrar aqueles que deram suas vidas é viver com redobrada generosidade para com nossos vizinhos. É agradecer ao paramédico, ao bombeiro, ao policial e ao profissional de saúde que permanecem em prontidão para nos amparar em nossos instantes de maior fragilidade. É recordar que, quando tudo parecia em ruínas, pessoas simples escolheram a coragem em vez do desespero, o sacrifício em vez do individualismo, e a união em vez da discórdia.

Às 2.977 vítimas do 11 de setembro, às centenas de primeiros socorristas e trabalhadores de resgate que desde então sucumbiram a enfermidades contraídas durante os esforços na Zona Zero, e às famílias que carregam o peso dessa saudade há vinte e cinco anos: vocês não foram esquecidos. Vocês jamais serão esquecidos. Lembramos de seus nomes, honramos seus atos e guardamos seu legado em nossos corações hoje e para sempre.